Arte Sacra - GÊNESE DA FÉ NO NOVO MUNDO

A cidade de São Paulo está honrada e alegre por receber Sua Santidade o Papa Bento XVI. Sua visita ao Palácio dos Bandeirantes é motivo de festa, e a organização da exposição Gênese da Fé no Novo Mundo quer expressar este estado de espírito. Aqui, mais exatamente no litoral do Estado de São Paulo - antes Capitania de São Vicente -  nasceu a primeira vila em 1532, ainda naquele século XVI.  São dela e de sua religiosidade os marcos históricos aqui apresentados, e o cruzeiro em pedra, fincado na ilha de Santo Amaro em 1542, assegurava a expansão da religião trazida pelos portugueses e confirmada pela ação das ordens religiosas na vocação deste que é o maior país católico do mundo.

O acervo de arte sacra dos palácios governamentais dos Bandeirantes, dos Campos Elíseos na capital e da Boa Vista em Campos de Jordão foi aqui reunido pela primeira vez para ser visitado nesta ocasião tão especial. Enquanto o mundo vê o carinho com que o povo brasileiro acolhe mais uma vez o papa, a arte sacra surge como um dos elos de união entre os povos que evocam e demonstram a paz desejada entre as nações. Arte e religião construíram um dos maiores acervos da beleza baseada na estética sacra nestes dois mil anos de cristandade.

O Governo de São Paulo se orgulha de conservar estes ícones de um povo que engrandeceu a nação sob a sombra da cruz.

Ana Cristina Barreto de Carvalho, Diretora do Acervo dos Palácios do Governo

 

Gênese da Fé no Novo Mundo tem o objetivo de saudar a honrosa visita papal no Estado de São Paulo celebrando com a população este momento de religiosidade vinculado à arte sacra e à fé do povo brasileiro.

A escolha do Palácio dos Bandeirantes para abrigar esta mostra faz parte do projeto de união dos acervos dos palácios de inverno de Campos de Jordão e o dos Campos Elíseos com significativa parcela desta exposição a ser conhecida pelos especialistas em arte colonial e à população à qual pertence as obras.

O primeiro núcleo da gênese da fé no Novo Mundo mostra antigos marcos do período político das Companhias Hereditárias coincidente com a vinda das primeiras ordens religiosas. O cruzeiro da ilha de Santo Amaro, a pia batismal do aldeamento de Abarebebê, fotografia da Imaculada Conceição da matriz de São Vicente e sua verga, os fragmentos (ainda em estudo) de talhas dos altares datados de 1559 da igreja vicentina e imagens do século XVI formam este núcleo histórico no Salão Barroco.

A visita do papa Bento XVI ao santuário mariano de Aparecida e a canonização do santo frei Antônio de Galvão nascido em Guaratinguetá geram o segundo núcleo. São fotografias das obras do santo arquiteto que construiu o Recolhimento da Luz e da igreja da Ordem Terceira Franciscana ambas na capital. Uma réplica da imagem de N. S. Aparecida e de São Pedro, da antiga igreja de São Pedro dos Clérigos completam este cenário simbólico denominado o Papa e a Virgem Maria.

O acervo de arte sacra dos palácios foi selecionado nos seguintes temas para o terceiro núcleo: As invocações de Maria, devoção privilegiada de Bento XVI, com as representações da Virgem, imagens dos acervos dos museus estaduais. Iconografia dos santos destacando Santana, São José, obra de Aleijadinho e Anjos Tocheiros sendo que um dos pares de autoria de Francisco Vieira Servas.

O mobiliário ambienta a exposição pois sobre os arcazes e credências eram colocados os vasos sagrados para o culto religioso. Assim o cenário do Salão Barroco acolhe oratórios, as alfaias e os lampadários dos acervos palacianos.

A reunião, pela primeira vez, dessas preciosidades quinhentistas, transforma o Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo do Estado em um centro de apreciação artística confirmando sua presença na área de conservação e divulgação de arte brasileira junto com os museus públicos do Estado, o Museu de Arte Sacra de São Paulo e o Museu Paulista da Universidade de São Paulo.

Percival Tirapeli