Igrejas Barrocas do Brasil. Baroque Churches of Brasil.

Percival Tirapeli. Design gráfico Dora Levy. Editora Metalivros. Capa dura – 30 x 32cm, 336 páginas, 2008.

A obra Igrejas Barrocas do Brasil, de Percival Tirapeli, retrata a história, a arquitetura e ornamentação de mais de 80 igrejas preservadas nas regiões Nordeste, Norte e Sudeste. O livro, com 334 páginas, incluindo o texto com versão para o inglês, é certamente o mais completo registro deste nosso patrimônio, com 350 anos de história da arte barroca no país. A abordagem é descritiva e analítica, com muitas informações a respeito da história e da visualidade destas edificações: o autor é artista plástico, pesquisador e professor titular de História da Arte na UNESP da capital paulista. Para Tirapeli, o livro é "um grande elogio à arte sacra e barroca e à identidade cultural colonial brasileira".

Igrejas Barrocas do Brasil traz, além das mais conhecidas, algumas igrejas que antes estavam fora do circuito regular de estudos e pesquisas ou mesmo careciam de interesse turístico, devido à falta de apuração e esclarecimento tanto de valores estilísticos quanto históricos. Um exemplo é a Igreja de Santo Antônio, em Itaverava, Minas Gerais, que possui lindas pinturas do Mestre Ataíde, um dos maiores expoentes do barroco brasileiro, e é praticamente desconhecida. O livro também apresenta uma relação atualizada de museus de arte sacra no país, que raramente constam em pesquisas e que registram pouca visitação em função do desconhecimento do grande público. O autor se preocupou em registrar os nomes de cada artista, pintor ou entalhador dos altares das igrejas e mostra o primeiro altar feito por Aleijadinho, obra que está em Santa Rita Durão, distrito de Mariana, Minas Gerais. Grande parte destas joias barrocas ficam em igrejas cuidadas por pessoas das comunidades locais, a de Sta. Rita de Durão, por exemplo, tem as chaves guardadas por uma moradora. "Se você chegar ao distrito e quiser conhecer o templo tem que achar a ‘guardadora de chaves’ e torcer para que ela esteja em casa", brinca Percival.

 O pesquisador avisa que o livro guarda surpresas. As imagens das igrejas do Rio de Janeiro, por exemplo, foram feitas por Ricardo Siqueira, fotógrafo especializado em fotografias de cavernas, que sabe trabalhar muito bem com a falta de luz, situação muito comum nas igrejas cariocas que são rodeadas por edifícios. "A igreja de São Lourenço dos Índios, em Niterói ficou estupenda", comenta Tirapeli.