Patrimônios da Humanidade no Brasil - World Heritage Sites of Brazil

Autor: Percival Tirapeli e Aziz Ab'Saber - Tradução: Kevin Mundy. Design gráfico: Dora Levy.

Editora: Metalivros. Capa dura, 30 x 32cm, 288 pp. Patrocinador: Credicard. Primeira edição 2001.

Livro reúne sítios naturais e culturais tombados no Brasil

Folha Ilustrada, por Francesca Angiolillo (da Redação).

Dos 690 sítios catalogados como patrimônio universal pela Unesco, 14 estão no Brasil. Destes, 12 estão no livro "Patrimônios da Humanidade no Brasil", que tem lançamento esta noite no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Os dois que "escaparam" à lista (veja quadro ao lado) do pesquisador paulista Percival Tirapeli, 48, são o Parque Nacional do Jaú e o Pantanal, incluídos em convenção da Unesco no mês passado.

Após lançar, há um ano, "As Mais Belas Igrejas do Brasil", Tirapeli recebeu da mesma Metalivros a incumbência de reunir em um volume os sítios tombados do Brasil, naturais e culturais.

Para ajudá-lo na empreitada de um ano, Tirapeli contou com a ajuda de cerca de 90 pessoas. Dentre elas, destaca-se o geógrafo Aziz Ab'Saber, que escreveu artigos sobre a serra da Capivara e sobre a mata atlântica. "Não posso nem chamá-lo de colaborador", comenta um honrado Tirapeli.

Ele define como "busca incessante" a pesquisa iconográfica que resultou na seleção de 244 fotografias. "Só para a serra do Capivari, vi 20 mil fotos." Parte das imagens foram feitas especialmente para o volume por nomes como Araquém Alcântara.

Para os textos (todos com versão para o inglês), Tirapeli montou uma estrutura que parte da descrição da chegada ao sítio e -após passar pelas razões do tombamento, influências na cultura local, fatos históricos relacionados à área, características singulares e diferenciais- ressalta as benfeitorias por que passou e os riscos que corre o local.

"Sempre tem um risco", diz o autor. Questionado sobre a degradação dos profetas de Congonhas do Campo (MG), Tirapeli, que é estudioso do barroco, diz não saber por que as esculturas de Aleijadinho "ainda não foram substituídas por réplicas". Mas, para ele, "existem casos até mais graves, como a estrada do Colono, que corta o parque do Iguaçu, e as invasões em Olinda".

Mas não só os bens naturais e os que têm séculos de história preocupam Tirapeli. Em Brasília, por exemplo, ele vê "o risco de não serem construídas todas as obras projetadas por Niemeyer para o setor cultural". Ele também vê ameaças ao plano piloto de Lucio Costa. "Num país em que o urbanismo é tão pouco respeitado, por que não preservar essa utopia modernista?", indaga o professor.

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1412200018.htm